Primeiros participantes vacinados no Gana com a vacina candidata contra a febre de Lassa desenvolvida pela Universidade de Oxford com o apoio da CEPI

Primeiros participantes vacinados no Gana com a vacina candidata contra a febre de Lassa desenvolvida pela Universidade de Oxford com o apoio da CEPI

Foi lançado no Gana um importante estudo de investigação destinado a avaliar uma promissora vacina candidata desenvolvida pela Universidade de Oxford contra a febre de Lassa, uma doença viral potencialmente mortal que afeta centenas de milhares de pessoas na África Ocidental todos os anos.

Os primeiros participantes foram vacinados ontem no Centro de Investigação em Saúde de Kintampo (KHRC), na região central do Gana, com o objetivo de recolher dados adicionais sobre a segurança da vacina experimental, ChAdOx1 LassaJ, bem como sobre a resposta imunitária induzida pela vacinação. O estudo, que prevê a participação de até 51 adultos saudáveis, com idades compreendidas entre os 18 e os 55 anos, decorre em paralelo com um ensaio semelhante atualmente em curso em Oxford, no Reino Unido.

Ambos os ensaios contam com o apoio da Coligação para as Inovações em Preparação para Epidemias (CEPI), no âmbito dos seus esforços para acelerar o desenvolvimento das primeiras vacinas seguras e eficazes contra a febre de Lassa.

Identificada pela primeira vez em 1969, na localidade de Lassa, no nordeste da Nigéria, a febre de Lassa é uma febre hemorrágica potencialmente mortal, transmitida aos seres humanos principalmente através do contacto com alimentos ou objetos domésticos contaminados pela urina ou pelas fezes de roedores infetados do género Mastomys. As formas graves da doença podem provocar hemorragias intensas e levar à morte.

«Embora a febre de Lassa não esteja atualmente a provocar um surto no Gana, a doença é prevalente em países como a Nigéria, e os ganeses e os nigerianos mantêm contactos e deslocam-se diariamente através da fronteira. É por isso que este estudo é particularmente importante», afirmou o Professor Kwaku Poku Asante, Diretor do KHRC e um dos investigadores responsáveis pelo ensaio.

«Mais de 50 anos após a identificação da febre de Lassa, as comunidades da África Ocidental continuam à espera de uma vacina autorizada», declarou a Dra. Katrin Ramsauer, Responsável pelo Programa da Febre de Lassa. «O lançamento deste ensaio no Gana representa um passo importante para mudar esta realidade, contribuindo simultaneamente para o reforço das capacidades de investigação na África Ocidental.»

Atualmente, não existe qualquer vacina autorizada contra a febre de Lassa. No entanto, estudos de modelização financiados pela CEPI sugerem que a introdução de uma vacina segura e eficaz na África Ocidental poderá permitir salvar cerca de 3 300 vidas ao longo de dez anos e evitar custos sociais que poderão atingir os 128 milhões de dólares americanos.

A vacina candidata em avaliação no ensaio realizado no Gana foi concebida pela Professora Dame Sarah Gilbert, do Pandemic Sciences Institute. Utiliza a mesma tecnologia ChAdOx1 que esteve na base da vacina segura e eficaz contra a COVID-19, desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca e administrada durante a pandemia, estimando-se que tenha permitido salvar mais de seis milhões de vidas apenas em 2021.

«Este é um momento extraordinário para todos aqueles que trabalharam arduamente para que este estudo chegasse a esta fase», afirmou a Professora Maheshi Ramasamy, Investigadora Principal do estudo, a propósito do lançamento do ensaio. «Estamos particularmente gratos aos nossos colegas do Centro de Investigação em Saúde de Kintampo, cuja dedicação, competência e extraordinário espírito de equipa tornaram possível esta conquista, mas, acima de tudo, aos participantes no nosso estudo, sem os quais não poderíamos dar continuidade aos nossos trabalhos.»

Paralelamente aos novos ensaios clínicos, os esforços para impulsionar o desenvolvimento de uma vacina contra a febre de Lassa continuam a avançar graças à liderança e à coordenação regional asseguradas pela Coligação contra a Febre de Lassa. Este consórcio, liderado pela Organização Oeste Africana da Saúde (OOAS), reúne dirigentes da África Ocidental e especialistas em saúde pública que trabalham em colaboração com parceiros do setor das vacinas, com o objetivo de acelerar o desenvolvimento e a futura introdução equitativa de vacinas contra a febre de Lassa em toda a região afetada.

«Ver um ensaio clínico de uma vacina contra a febre de Lassa ter início aqui, na África Ocidental, sob a liderança de cientistas oeste-africanos, constitui um momento de grande orgulho para a nossa região», afirmou o Dr. Virgil Lokossou, Diretor dos Serviços de Cuidados de Saúde da OOAS. «Através da Coligação contra a Febre de Lassa, os nossos Estados-Membros estão já a preparar-se para garantir que, assim que uma vacina demonstrar ser segura e eficaz, possa chegar às comunidades que dela mais necessitam.»

Até à data, a CEPI comprometeu-se a disponibilizar um financiamento de até 24,9 milhões de dólares americanos à Universidade de Oxford para apoiar os seus trabalhos de investigação sobre a febre de Lassa.

A CEPI apoiou igualmente as fases iniciais de desenvolvimento da vacina contra a COVID-19 da Oxford-AstraZeneca e mantém uma parceria estratégica com a Universidade de Oxford para o desenvolvimento de outras vacinas baseadas na tecnologia ChAdOx1, destinadas a responder a futuras ameaças epidémicas e pandémicas.